sábado, 30 de abril de 2011

Teixeira e Souza o mendigo do séc. XXI

Ó amada que sobre o olhar dessa terra goza da luz eternamente,

ouvirá um gemido de lamento

e quando enxergar, cega se fará de tormento,

quando pensar que rica estará, mendiga será na mente.


Tens olhos só para seu ver

e que a arte ao seu olhar é cega!

Essa sua cegueira que meu olhar nega

tem aberto a luz que enxerga os males de viver.


Sobre o ouro, a prata que come o romance

a poesia que vive da rua

na face iluminada da lua!

Quero que meu verso do negrume da noite se lance.


Ó amada sou a presa que na terra ando

buscando alimento de palavras com fome,

nessa mesma terra que me consome

a ideia que sigo pensando!


No caráter da verdade

encaro livremente a vida

mesmo explorando meu último verso de partida

alimentando-me de pão, lápis e objetividade.


Ó amada nessa vida tão dura, tão impossível

vivo o impessoal de uma estátua

parada no meio da estrada nua

entre romance, tragédia imperdoável.


Ó amada digo-te: Eu mendigo dos que sobre a terra estão

e dos que a terra cobre

não sou rico, sou eternamente pobre.

Sou Teixeira e Souza de somente uma cara e um só coração.



Alex Feitosa